Jardim vertical modular numa parede interior de um edifício

Detalhe construtivo de jardim vertical: camadas, fixação e rega

O detalhe construtivo de um jardim vertical não é um complemento gráfico do projeto. É o documento onde se cruzam a fixação à estrutura de suporte, a constituição das camadas, a rega e o acesso para manutenção — e, por isso, o documento que determina se o sistema ainda funciona cinco anos depois da receção da obra. Aquilo que o detalhe não define acaba resolvido em obra, e isso penaliza quase sempre a vegetação.

Em seguida: o que deve constar de um detalhe completo, em que difere uma aplicação exterior de uma interior, e em que formatos pode incorporar o detalhe nas peças desenhadas do seu projeto.

O que deve conter o detalhe

Independentemente do sistema escolhido, um detalhe completo descreve estas camadas e elementos, de dentro para fora:

  • Parede de suporte e impermeabilização: o suporte existente ou novo e a respetiva proteção. O detalhe tem de demonstrar que nenhuma fixação atravessa a camada de impermeabilização sem selagem.
  • Subestrutura: o sistema de fixação que transmite à estrutura o peso próprio do conjunto saturado, a ação do vento e, consoante a localização, a sobrecarga de neve. Aqui entram afastamentos, tipo de fixação e a ligação ao restante sistema de fachada.
  • Caixa de ar ventilada: o espaço que separa a parede de suporte da face húmida do sistema.
  • Camada de sistema: a constituição propriamente dita — num sistema modular semi-hidropónico, o suporte têxtil e as câmaras de substrato; em sistemas hidropónicos ou de tabuleiro, os componentes correspondentes.
  • Rega e drenagem: tubagem de distribuição, gotejadores autocompensantes, eletroválvulas, unidade de comando e sensores (humidade do substrato, pressão, temperatura). A drenagem também pertence ao detalhe: solução perdida e rega recirculada são dois desenhos diferentes.
  • Seleção vegetal: especificação por espécie, em função da orientação, da exposição solar e do clima. Uma lista de plantas sem orientação não é uma especificação.
  • Acesso para manutenção: pontos de inspeção, plataformas ou elementos desmontáveis, bem como os dispositivos de segurança que permitem a manutenção sem risco. É o elemento que mais vezes falta na prática.

Exterior ou interior: onde o detalhe muda

Num jardim vertical exterior comanda o comportamento físico do edifício: a ação do vento sobre a subestrutura, a resistência ao gelo dos componentes, as travessias da impermeabilização e a ventilação da caixa de ar. A orientação determina tanto a seleção vegetal como as necessidades de rega, e ambas devem constar do desenho.

Num jardim vertical interior, a atenção desloca-se para o controlo da humidade, as condições de luz e a drenagem. No interior a luz natural raramente é suficiente, o que torna a iluminação auxiliar parte do projeto — com a correspondente alimentação elétrica representada no detalhe. O acesso para manutenção é também mais apertado e exige, em regra, painéis desmontáveis.

Fytotextile®: a constituição do sistema

A Terapia Urbana trabalha com o Fytotextile®, um sistema modular multicamada com suporte têxtil. As camadas, a fixação e os componentes de rega estão definidos nas fichas técnicas e nos desenhos disponíveis para transferência, de modo que o detalhe do seu projeto represente a execução real e não um corte genérico.

Transferir o detalhe em DWG, DXF e Revit

O detalhe construtivo está disponível nos formatos com que o seu atelier trabalha: uma família paramétrica para Revit (.RVT), o corte cotado em DWG para AutoCAD, o mesmo detalhe no formato aberto DXF para BricsCAD, ArchiCAD, Vectorworks, Rhino ou versões antigas de CAD, e as fichas técnicas em PDF.

Transferir os desenhos e o modelo BIM do jardim vertical

Integração com Revit, AutoCAD e CYPE

  • Modelos BIM para Revit: modelação tridimensional com os parâmetros técnicos já incorporados no objeto.
  • Desenhos DWG e DXF: detalhes construtivos e cortes, cotados e organizados por camadas, prontos para as peças desenhadas.
  • Compatibilidade com CYPE: para a verificação estrutural da subestrutura — quantificação de ações e comportamento térmico — e para a estimativa de custos e o mapa de quantidades.
  • Base de dados de plantas: fichas técnicas por espécie, organizadas por clima, orientação e necessidades hídricas.

Estes recursos encurtam o tempo de projeto e de produção de peças desenhadas, mantendo a coerência técnica desde o estudo prévio até à execução em obra.

Perguntas frequentes

Que ações tem de suportar a subestrutura?

O peso próprio do sistema saturado de água, acrescido da ação do vento e, em locais onde se aplique, da sobrecarga de neve. Os valores condicionantes dependem da altura, da localização e da orientação da fachada; constam da ficha técnica de cada sistema e são fixados para o seu projeto em sede de consultoria técnica.

Qual a diferença entre rega a solução perdida e rega recirculada no detalhe?

Na solução perdida, a água excedente sai do sistema na base e é encaminhada para a rede de drenagem. Na recirculada é recolhida, filtrada e novamente bombeada, o que acrescenta ao detalhe um depósito de recolha, grupo de bombagem e tratamento de água. A opção altera o desenho, o consumo de água e a rotina de manutenção.

O detalhe tem de representar o acesso para manutenção?

Sim. Sem acessibilidade definida, a manutenção torna-se cara ou insegura — e, em qualquer dos casos, é adiada. O detalhe deve mostrar como se chega à vegetação, aos gotejadores e à unidade de comando, e que dispositivos de segurança isso exige.

Em que formatos recebo o detalhe?

Revit (.RVT), DWG, DXF e PDF. O DXF destina-se a ateliers que não trabalham com software Autodesk: é um formato aberto que preserva a geometria e a estrutura de camadas sem conversões intermédias.

O detalhe pode ser adaptado ao meu projeto?

Sim. O detalhe publicado é o ponto de partida; para um projeto concreto desenvolvemo-lo com a constituição real da fachada, a orientação e as dimensões efetivas. Fale com a nossa equipa técnica para receber o detalhe do seu projeto.

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